Quanto tempo demora cinco anos pra passar?

Às vezes não passa. Depende do que esse tempo todo te fez carregar no peito, se for saudade, o tempo não passa mesmo, vai sempre trazer consigo o célebre “parece que foi ontem…”, então ele – tempo – congela, e vão-se os anos, não importa, as sensações e os sentimentos são revividos como se vividos realmente, no dia de ontem.

Se alguém que você ama muito foi embora desta vida pra sempre, o tempo vai bater todo dia na sua porta e te trazer lembranças de presente, às vezes vão te fazer rir, você vai dar aquele sorriso bobo de canto de boca e trazer à mente as situações mais leves e engraçadas, você provavelmente vai compartilhar isso com aquelas pessoas que esse tempo também visita frequentemente.

Mas haverão dias em que ele vai chegar fazendo tempestade, esses dias serão difíceis e vão torcer o seu coração quase que fisicamente, de lá vão sair falta, tristeza, saudade, pesar… pode ser que você queira um abraço, ou então que só queira ficar sozinho(a) por um tempo. Vai doer. Muito. Mesmo.

Seja lá o que o tempo faça com você, o que importa mesmo, é o que você vai fazer com o que o tempo fizer com você, há algo importante sobre isso: FAÇA ALGUMA COISA! O tempo vai passar de qualquer jeito, e talvez faça sentido pra você – como faz pra mim – que não faz a menor diferença quantos anos ele leve pra isso, nós não podemos colocar a dor no bolso e simplesmente seguir, nós precisamos sofrer. É um convite estranho, eu sei, mas aquele tempo que bate à porta trazendo lembranças a todo momento, vai ser o mesmo a fazer “toc toc” na sua mente e no seu coração, vai atrapalhar seu sono, bagunçar tudo em você e te obrigar a viver o luto que você colocou no bolso achando que era de aço, se negando a sofrer quando precisava.

É importante viver o luto. Eu aprendi porque me fiz de aço há cinco anos quando perdi pra sempre, nesta vida, a pessoa que me deu a vida, mas depois a conta veio, e veio alta… Não me culpo, aquele foi o jeito que encontrei, da melhor forma que eu pude, com tudo o que eu tinha. Me orgulho. Amanhã é dia 25 e pela primeira vez em exatos cinco anos, decidi ver o nome dela em uma lápide, certamente serei outra pessoa depois de viver isso. Não que o tempo não vá voltar à minha porta com infindáveis lembranças e um “parece que foi ontem” ano após ano, mas a “casa” é minha, eu vou abrir e dizer: “- A saudade tá em dia, amigo… Entra e fica à vontade. Mas quem manda aqui sou eu.”.

Nossa… quanto tempo!

Há pouco mais de um ano criei esse blog, porque adoro escrever e senti vontade de fazê-lo em um lugar além do Instagram. Duas postagens e nada mais. Vrum. Passou tanto tempo…

Me questiono sobre tantas e tantas coisas que começo e não mantenho, não termino, não continuo. Todo esse tempo me foi precioso pra praticar autoconhecimento, não tornou nada mais fácil, muito ao contrário, parece ter ficado mais difícil. Eu acho que só “parece”, tudo bem que se conhecer não é mergulhar num mar de rosas, tem suas dores, mas com o tempo a gente se aprende e passa a se apreciar, aí sim, depois disso, dessa apropriação de saber quem somos, de poder mudar e se descobrir de novo, fica confortável e interessante.

É 2020, eu nem preciso explicar por que momento passamos… Você vai ler isso daqui há anos e vai saber. Vai ler isso de qualquer lugar do mundo e vai saber. Eu imaginei passar por situações na vida, e de fato passei por coisas que nem havia sonhado viver, mas nem de longe cogitei viver uma pandemia… Doze mil e quatrocentas vidas perdidas hoje… A gente nem acredita. Além disso, não se tem mais rotina, tudo reconfigurado, nada é igual, muito se fala sobre um “novo normal”.

Eu comecei o texto refletindo sobre a minha falta de constante, constância, aliás, é exatamente o que ninguém tem hoje, todos os dias tudo muda, em todos os âmbitos, mudam as coisas lá fora, mudam dentro de nós. Todos seguimos tentando, cada um a seu modo.

O momento que o mundo vive chega pra mim em um momento particularmente bagunçado, não que houvesse momento oportuno pra viver coisa do tipo, e certamente eu não sou a única “particularmente bagunçada” nesses tempos, eu sei. Não fui produtiva hoje, me questiono sobre o que quero, como me farei feliz, quais são minhas chances… Fechei a agenda sem realizar absolutamente nada do que tinha programado.

Tem dias que são assim mesmo. Não sei qual a minha nova constante, mas acabei de voltar.

Oi. Você fala inglês?

Assim, em português mesmo. Essa foi a pergunta que eu fiz a alguns amigos antes de começar o meu primeiro curso de inglês da vida, aos 32 anos, depois de já ter feito duas viagens aos Estados Unidos.

Eu queria companhia no curso, companhia na sala, amiga(o) pra ficar grudada(o), assim, sabe? Então… consegui. Eu soube de um curso de línguas oferecido pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, trata-se de um projeto que teve início em 1996 pelo então Departamento de Letras, é o Projeto de Extensão Cursos de Línguas Estrangeiras – PROJELE, que tem como um de seus objetivos servir de laboratório para os acadêmicos, a fim de que estes possam atuar como professores-instrutores, na condição de bolsistas de Projeto de Extensão, atendendo à comunidade.

O custo do curso é super acessível, o valor é destinado às bolsas que são pagas aos acadêmicos envolvidos no projeto, os professores, inclusive. As inscrições se encerram muito rápido, por isso, divulguei a quem pensei que pudesse se interessar, fiz a minha inscrição, uma amiga que havia convidado, também fez a dela, e juntas conseguimos garantir nossas vagas no curso (tipo: “-vamo? -vamo!”… e foi.). Estudei a vida toda em escolas estaduais e o inglês que aprendi foi por lá. Considerando que terminei o ensino médio aos 17 anos, em 2004, e o início dessa postagem revelou minha idade, podemos concluir que: não me lembro de absolutamente nada!

Assisto séries e filmes sempre legendados, nunca dublados porque sempre gostei de ouvir as vozes exatamente como elas são, o jeito exatamente como eles falam. As viagens me deram outra visão da língua, passei a entender melhor mesmo não conseguindo me comunicar, porque quem comandava a coisa toda era meu marido, que é fluente no babado.

Com o curso, acessei duas sensações deliciosas: a de estar estudando na UFMS, onde, na época do ensino médio, sonhei cursar a graduação, e a de ter o contato com a língua, que sempre quis aprender. É incrível como diariamente realizamos sonhos e nem nos damos conta disso… Ás vezes as coisas não acontecem exatamente como idealizamos (pra falar a verdade, dificilmente acontece como a gente planeja), e a gente deixa passar, não sente, não percebe. Mas essas duas realizações eu percebi. Que bom! Me fiz o compromisso de ir às aulas vestida confortavelmente, jeans, tênis e mochila, pra me sentir na vibe da graduação, me apropriar de cada centímetro daquela oportunidade de estar ali, onde um dia sonhei estar estudando. Aprender inglês também era um sonho, o curso era caro, não dava tempo, não tinha como, passou um mês, dois… anos, e nunca priorizei isso.

A vida vai sendo feita destes pequenos prazeres para os quais olhamos, ou não. Se estamos ocupados demais reclamando de algo, nada será maior do que nossas preocupações, nem mesmo nossos sonhos, nem a realização deles (que tristeza, né?). Eu me sinto tão feliz me proporcionando essas coisas legais que sempre quis fazer, que até o cheiro do ar é diferente lá, tem cheiro de quando a gente consegue, se apropria e aproveita!

Tô aqui. Cheguei.

Logo eu, que durante a graduação em direito tinha tão pouco apreço pelo direito do trabalho, e a certeza de que jamais atuaria na área, aqui estou, atrasadíssima no segundo módulo de uma pós-graduação em direito e processo do trabalho que iniciei no primeiro semestre de 2016, e sigo tentando terminar, 2 anos depois.

No início, não me dediquei o quanto gostaria, parei, voltei, e ainda não estou mergulhada o quanto posso. Tudo bem, é o jeito que dou conta…

Tomada por uma ansiedadezinha meio maluca, acabo de parar uma aula na metade para escrever minhas tradicionais metas anuais possíveis e alcançáveis (no número de 4) e criar esse blog. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, e as duas, nada a ver com a primeira, mas por algum motivo isso fez sentido para mim, e vamos por aqui.

A coisa mais libertadora é você fazer o que tem vontade, quando tem! Tive um blog há anos, na adolescência, sempre amei escrever e durante muito tempo, meus textões ficaram só lá no Instagram e no Facebook, algumas pessoas apreciam “minhas coisas” postas naquele monte de letra junta, e são fiéis à leitura dos longos textos. Se 3 delas escrevem que leem até o final e adoram, já é o suficiente para eu nunca querer parar. E, eu nunca querer parar é o motivo para a criação deste blog. Vamos lá!